Especial: Julinho

Dono da lateral-esquerda do Avaí abre o jogo ao INfoesporte: começo difícil na várzea, trajetória no clube azurra e até salário de dois reais...

Por INfoesporte

24/03/2011 - 19h35

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Uma trajetória difícil, suada, mas sem nunca, sequer uma vez, desistir do sonho. Com apenas 24 anos, já coleciona histórias das mais diversas no futebol. Atual dono da lateral-esquerda do Avaí, Julinho passou por poucas e boas. O começo foi na várzea. Os campos tinham muito mais barro e terra do que grama. Mas nada de desacreditar. Nunca. Aliás, esse é o lema do jogador. Inclusive foi assim no clube azul e branco, como contou à reportagem do INfoesporte em uma conversa nesta quinta-feira, em um shopping de Florianópolis.

Julinho conversou com a reportagem do INfoesporte nesta quinta-feira e abriu o jogo (Foto: Ricardo Petcov/INfoesporte)

Julinho chegou ao Avaí como nenhum jogador quer chegar em um clube: com um contrato de risco, em agosto de 2010. Tinha apenas três poucos meses, algo em torno de 90 dias, para mostrar que poderia ser útil. Antes, já havia se destacado no Atlético de Ibirama e estava no Metropolitano. Aceitou trocar o interior pela capital, mesmo sabendo que iria receber menos na nova casa. Era tudo em busca do sonho: "Ali eu sabia. Era tudo ou nada. Precisava arriscar. Vim pro Avaí em busca de uma oportunidade. E com muita vontade de trabalhar". Deu certo e foi premiado. Em pouco tempo no Leão, mesmo sendo utilizado na equipe Sub-23, conseguiu agradar aos dirigentes. Principalmente na viagem do Avaí ao continente europeu no ano passado. Lá, foi um dos destaques do time e chegou até a receber propostas para ficar na Europa . Não aceitou: "Não valia a pena. E sabia que algo melhor estava me esperando aqui no clube", contou o lateral.

Mal chegou em Florianópolis e renovou seu vínculo. Hoje, tem contrato até 2012 com o Avaí. E as coisas mudaram radicalmente: "Quem trabalha lá no clube hoje já me conhece. Antes eu andava lá dentro e eles nem sabiam quem eu era". Julinho deu seus primeiros passos no futebol jogando na várzea. Em São Paulo, onde nasceu, atuava em gramados que praticamente inexistia grama. O barro e a terra tomavam conta, contou o jogador.

Uma filha e o salário de dois reais

Tatuagem em homenagem à filha Isabelle, de um ano e quatro meses (Foto: João Ricardo Ziert/INfoesporte)Julinho é ainda um jovem. Tem somente 24 anos. Mas leva consigo uma infinidade de histórias e, principalmente, "causos" do futebol. Um deles, é motivo de piada entre os amigos até hoje. Quando defendia o Atlético de Ibirama, sentou para discutir uma renovação contratual com os dirigentes do clube. Depois de alguns dias, o acordo veio, e Julinho ganharia um aumento salarial. Ficou feliz da vida. Decidiu aproveitar e ir às compras para dar um "tapa" na casa onde morava com alguns outros jogadores: "Comprei DVD, TV, algumas coisas para dar uma ajeitada na casa, né?". Quando foi receber o primeiro salário após o acerto veio a notícia do cartola do Ibirama: "Fui lá todo feliz pegar meu dinheiro. Cheguei lá o dirigente falou que não tinha mais nenhum acordo e que eu continuaria ganhando a mesma coisa. Fiquei todo endividado na loja". Julinho contou que a dívida só foi paga quando Mauro Ovelha assumiu o controle da situação. O treinador foi até a tal loja, pagou o que o jogador estava devendo e o chamou para uma conversa: "Ele chegou e falou: Eu acertei tudo. Conversei com o dirigente e com a loja. Peguei o teu novo salário e paguei tudo lá. Aqui está o restante." Ovelha botou na mesa duas moedas de um real.

Atualmente Julinho ganha muito mais do que algumas moedas. Fruto do trabalho diz, ele: "Sei que aproveitei minhas oportunidades durante a vida. Hoje posso ajudar minha família, minha filha, graças a Deus". O lateral-esquerdo tem uma filha de um ano e quatro meses, e tem no antebraço esquerdo uma tatuagem com o nome dela, Isabelle.


Confira, abaixo, mais um pouco do bate-papo com Julinho.

INfoesporte: Quem é o cara mais diferenciado do Avaí?

Julinho: O Marquinhos, sem dúvida. Nesse último jogo ele deu um tapa de letra uma hora que eu tive que parar e ficar olhando. É outro nível, é diferenciado.

INfoesporte: O Silas também é diferenciado?

Julinho: Com certeza, Excelente treinador. Quer sempre fazer o melhor. Sempre está do teu lado para te ajudar. Além disso, é ainda uma excelente pessoa.

INfoesporte: Qual outro treinador de ajudou bastante?

Julinho: O Joceli, quando eu estava no Imbituba. Um cara sensacional. Me dava muita liberdade dentro de campo, aprendi muito com ele.

INfoesporte: E ele é mesmo aquela "figuraça"?

Julinho: Muito, demais. O Joceli é muito engraçado. Ele te xinga se tu faz uma jogada ruim, te xinga também se faz uma jogada boa.

INfoesporte: Como foi na hora da comemoração do teu gol contra o Brusque? O primeiro com a camisa do Avaí...

Julinho: Foi demais. Só pensava em agradecer a Deus e ao Silas, que me deu a oportunidade. No outro dia, minha mãe me ligou, elogiou, mas até corneteou. Ela disse que nem quando eu estava na barriga dela eu chutava de direita e no gol fui lá e bati com a direita mesmo. Foi muito legal.

Julinho comemora seu primeiro gol com a camisa do Avaí: foi com a direita (Foto: Edu Cavalcanti/INfoesporte)

INfoeesporte: Já pensa na Série A? Vem Ronaldinho Gaúcho, Luís Fabiano, vários craques.

Julinho: É mais uma boa oportunidade. São nesses jogos que o verdadeiro jogador aparece.

INfoesporte: O que pensas para o teu futuro?

Julinho: Acho que é unanimidade entre os jogadores: Europa. Sonho em jogar lá. Mas, sinceramente, deixo para depois. Hoje meu foco é totalmente no Avaí e, atualmente, no tri-campeonato estadual.

INfoesporte: E esse teu estilo? Camisa larga, boné...

Julinho: Nasci em São Paulo, né? Sou da periferia. Sempre fui assim. As vezes converso com os meus amigos de lá e a gente lembra do tempo da infância, da várzea. Gosto de escutar um Rap, um Funk...

Julinho estiloso: nascido em São Paulo, lateral-esquerdo do Avaí gosta de Rap (Foto: João Ricardo Ziert/INfoesporte)

 

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2 Comentários para:

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Comentários

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    italo

    19/05/2011 - 21h05

    Parabéns pela entrevista com o julinho é um batalhador e conheço ele aqui de são paulo ele chegou ai no Avai com muita luta e muita Fé em Deus por isto que ele esta colhendo frutos bom agora vai pra cima deles julinho é vc e o avai seraõ campeão da copa do brasil abraço
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    ROGERIO CAVALLAZZI

    24/03/2011 - 20h38

    Parabéns ao infoesporte pela entrevista. Estou cansado de ver os jogadores passando pelos times da Capital, fazendo sucesso e ninguém faz uma entrevista decente com eles. abraço Rogério
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