"Ninguém do Figueirense me ligou até agora"

Atacante destaque no futebol brasileiro tem futuro incerto, mas quer mostrar que pode fazer história no Figueira.

Por INfoesporte

26/03/2016 - 15h52

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William Pottker virou assunto no futebol brasileiro graças ao bom desempenho no Campeonato Paulista. Foto: José Luis Silva/CA Linense

William Pottker é um dos jogadores mais falados nesse início de ano no futebol brasileiro. Destaque do Linense no Campeonato Paulista, ele chegou a liderar a artilharia do Paulistão. Hoje é o terceiro goleador do estadual, com sete gols. Roger, ex-Chapecoense, lidera a disputa, com nove. Revelado pelo Figueirense, com quem ainda tem contrato, Potkker entrou na mira de grandes times do país, como Santos e Corinthians. O INfoesporte conversou com o atacante, que falou sobre a fase atual, as dificuldades no início da carreira, e sobre o futuro.

 

A primeira chance

O ano era 2011. Dia sete de setembro. William, então com 17 anos, tinha a primeira oportunidade entre os profissionais do Figueira. Foram cinco minutos, contra o Atlético Goianiense, na Série A do Brasileiro. A primeira e a única vez que jogou no time principal naquele ano. Depois, voltou para as categorias de base.

"Foi uma alegria imensa a oportunidade que tive com o professor Jorginho. Depois voltei pra base, continuei trabalhando forte e no início de 2012 disputei a Taça São Paulo. Lá, acabei tendo uma lesão na coxa e voltei direto pro profissional".

2012

Com a lesão na coxa, Pottker ficou dois meses parado fazendo tratamento. Na pressa de jogar e ter uma oportunidade, acabou antecipando a volta aos gramados, mesmo sem estar 100% recuperado. Uma escolha errada.

"Eu era muito novo e queria voltar o mais rápido possível, pra aproveitar as oportunidades. Isso acabou me atrapalhando. Aquela lesão não me deixava jogar tudo o que eu podia. Eu sentia dores e não conseguia ter sequência. Foram seis jogos apenas pelo Brasileiro e alguns pelo estadual. Serviu de aprendizado, pra saber respeitar a lesão e o tempo necessário pra voltar 100%".

Pottker no Sporting Braga, de Portugal. Foto: Ceroacero.esExterior

O desempenho ruim, influenciado pela lesão mal curada, levou o Figueirense a emprestar William para o exterior. A primeira experiência foi no Gandzasar, da Armênia. Depois, foi para o Ventforet Kofu, do Japão. Já em 2015, foi para o Braga de Portugal.

"Foram quatro meses na Armênia e outros quatro no Japão. Por isso acabei jogando pouco. A experiência foi muito válida, ganhei maturidade, cresci como pessoa. Na Armênia deixei boa impressão, até hoje me ligam pra voltar pra lá. Em Portugal eu vivi momentos bons, evolui taticamente lá, e tudo isso foi válido para eu viver o momento que eu estou vivendo hoje".

Nevasca e terremoto

As duas primeiras experiências internacionais, na Armênia e no Japão, aconteceram quando William tinha 18 anos. Muito jovem, teve que lidar com experiências totalmente diferentes. Na Armênia, encarou logo de cara uma nevasca muito forte. No Japão, passou por um terremoto logo na primeira noite.

"Na primeira viagem minha com o time na Armênia, nós fomos de ônibus. No meio do caminho começou uma nevasca muito forte. Eu, que nunca tinha visto nada parecido, fiquei com muito medo. Já no Japão, logo que cheguei no hotel coloquei minhas coisas em um armário aberto, sem trancas nem portas. À noite aconteceu um terremoto e as coisas caíram do armário. Levei um susto enorme, sai correndo no hotel e quando vi, ninguém estava assustado. Os outro nem acordaram, porque tinha sido um terremoto muito fraco pra eles, que já estavam acostumados com isso. Hoje é engraçado, mas na época foi terrível".

Linense

A primeira oportunidade de William Pottker no Linense foi em 2015. Foram 13 jogos e cinco gols marcados. Fato que deixou o torcedor do clube encantado com ele. Mas logo que chegou ao time, William teve que provar ao treinador Luciano Quadros, que merecia a confiança depositada nele.

"Ele disse que gostou de mim, que eu era um atacante que ele precisava, agudo, com velocidade. Mas disse que ia me dar três jogos. Eu tinha que marcar pelo menos um gol ou dar uma assistência nesses três jogos pra ficar no time. Aproveitar a oportunidade, fui bem, fiz dois gols no terceiro jogo, e dali em diante me destaquei no time".

William Pottker comemorando gol pelo Linense. Time paulista trouxe sorte a carreira do atacante. Foto: José Luis Silva/CA Linense

2016

Do Linense, em 2015, ele foi para o Braga de Portugal. De lá, voltou para o Figueirense, que o emprestou novamente para o time de Lins. O início arrasador no Campeonato Paulista chamou a atenção de muita gente. Foram sete gols nos seis primeiros jogos da competição. Logo surgiram notícias de interesse de outros clubes nele. O Corinthians seria um deles.

"Fico feliz de ter sido reconhecido por um grande técnico como o Tite, mas o meu clube hoje é o Linense, e depois do Paulista é o Figueirense. Não tenho nada fechado com ninguém, e nem vou fechar nada sem consultar o Figueirense, que é meu clube formador. Preciso focar no meu trabalho, continuar fazendo o que tenho feito, porque sei que se eu cair de rendimento, vou acabar sendo esquecido".

Potker, em 2012, com a camisa do Figueirense. Foto: Luiz Henrique/FFCVolta ao Figueira

O contrato de empréstimo junto ao Linense encerra no fim do Campeonato Paulista. Daí em diante, o futuro está em aberto. Com contrato até 2017, Pottker volta, obrigatoriamente, ao Figueirense, mas o futuro no alvinegro ainda é incerto. O desejo dele é se destacar no clube de coração.

"Não tenho porque temer uma volta ao Figueirense. Sei que posso me destacar no time que me revelou. Sempre sonhei em jogar no Scarpelli, realizei isso nas vezes que fui pro time profissional, mas sinto que posso fazer mais pelo clube. Até agora ninguém do Figueirense me ligou, ninguém me falou nada sobre a minha situação. Sei que quando acabar meu contrato aqui no Linense, eu tenho que me reapresentar no Figueira e vou treinar normalmente aí enquanto não resolverem minha situação. Tenho certeza que ainda vou dar muito carinho pra essa torcida e retribuir tudo o que o clube me proporcionou. Tenho um carinho muito grande pelo clube e espero ajudar o máximo possível".

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