Brasil surpreendido pelo Brasil… de Pelotas! Relembre campanha histórica de 85

Engana-se quem pensa que a autenticidade do Brasileiro de 1985 deve-se somente à improvável decisão entre Coritiba e Bangu.

Anteriormente aos mata-matas que originaram a atípica final, foram reunidos os melhores colocados dos grupos A, B, C e D em outros quatro grupos (E, F, G e H). Então, times que na primeira fase haviam sido dispostos em diferentes repartições, mesclaram-se.

Do Grupo D, vieram as duas grandes surpresas daquela edição da Taça de Ouro. Bangu, campeão de turno e returno, garantiu a vaga com propriedade. Vice no returno, o Brasil de Pelotas também carimbou passaporte para a fase seguinte.

Eis que, no Grupo F, o Xavante sente o grau de dificuldade aumentar drasticamente. Sentavam-se à mesa junto a ele o Flamengo, grande time da década no Brasil (quem sabe no mundo), o Bahia, campeão do returno e melhor time do Grupo B, e o Ceará, segundo melhor no Grupo C. Apenas um avançaria.

Os prognósticos apontavam o Flamengo como favorito, com folgas, a chegar à semifinal, para vencer o quarto campeonato na década. Qualquer variação seria representada pelo Bahia, de ótima campanha parcial e com bom time (poriam a mão na taça três anos depois).

Contrariando todas as expectativas, o Brasil de Pelotas tomou de assalto a primeira colocação do grupo. O Xavante transformou seu estádio, o simpático Bento Freitas, num grande alçapão e venceu as três partidas em casa.

O grande êxito, sem dúvidas, a batalha contra o Flamengo:

O jogo valia como uma “classificação antecipada” para o Fla, de Bebeto, Adílio e Fillol, goleiro da Seleção Argentina. Com 6 pontos contra 5 do Brasil-RS, o Mengão garantiria o passaporte à semifinal com vitória, que na época valia apenas dois pontos, sendo, ainda assim, suficiente.

O Xavante, treinado por Valmir Louru, foi embalado pelos mais de 20 mil torcedores no Bento Freitas. A pressão fez diferença para que Fillol e um zagueiro flamenguista se desentendessem: um esperou pelo outro ir na bola. Nenhum foi. Bira, atacante do Brasil, que jogava de branco, carregou tranquilamente a bola para o gol.

No segundo tempo, outro gol “anormal”. Júnior Brasília (revelado pelo Flamengo) disparava pelo lado direito de ataque e aguardava o momento certo para cruzar para Bira, o centroavante, anotar o segundo. Num erro de direção, o cruzamento, de tão predestinado que era, encaminhou-se para o gol sem precisar de complemento.

O Bento Freitas foi abaixo. Não somente pela magnitude da vitória, mas pela ultrapassagem na tabela. O Brasil-RS somava ali 7 pontos, assumindo a liderança, e tornava realidade o sonho quase impossível de avançar.

Havia ainda uma última rodada em disputa. O Brasil iria a Salvador enfrentar o Bahia, enquanto o Fla receberia o Ceará. Considerando a alta probabilidade de vitória flamenguista, o Xavante deveria triunfar fora de casa para garantir a vaga.

E, quem diria, assim o fez! A equipe gaúcha foi melhor e venceu por 3 a 2 em plena Fonte Nova, celebrando muito a heroica classificação. O Bahia não tinha mais grandes pretensões, mas deu seu melhor na partida, o que abrilhanta o triunfo pelotense. O Flamengo, por sua vez, apenas empatou contra o Ceará, ficando de fora.

Na semifinal, o Brasil-RS reencontrou o Bangu, ex-companheiro de Grupo D, lá na fase inicial. O vencedor do confronto decidiria a ímpar Taça de Ouro de 85, que teria um campeão inédito em sua história. Isso porque o vencedor do confronto encararia o Coritiba, que, após anos parando nas semifinais, conseguiu avançar à decisão.

O Brasil levou o confronto de ida, do qual possuía mando, para o Olímpico, em Porto Alegre. Parece que o calor do Bento Freitas fez falta, vitória banguense por 1×0, que confirmaria com um 3×1 no Maracanã, encerrando a histórica participação Xavante no Brasileiro.

A terceira colocação do Grêmio Esportivo Brasil será relembrada com carinho sempiternamente pelo torcedor pelotense, mas nem só por ele – no Sul, em geral, sua campanha geral é registro histórico: apenas Grêmio, Internacional, Coritiba e Athletico possuem campanhas melhores. Lembrança dourada!

Série D: entre os paulistas, Ferroviária é o único time a estrear com vitória

Murilo Demarch
Desde 2015, redator, revisor e editor em websites, responsável por criação de conteúdo e exploração de bases de conteúdos de sites nacionais e internacionais

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