Diante de 10 mil torcedores, Colômbia arranca empate da Argentina no final

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Pela 6ª rodada das Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2022, Colômbia e Argentina fizeram um bom e movimentado jogo em Barranquilla, na noite desta terça-feira, com emoções até o fim. Com a presença de um público de 10 mil torcedores, pouco mais de 20% da capacidade do Estádio Metropolitano, casa do Junior Barranquilla, a seleção da casa arrancou o empate no último lance.

A Argentina abriu vantagem de 2 a 0 em sete minutos de jogo, com Romero e Paredes, mas os colombianos reagiram na segunda etapa, com gols de Muriel, de pênalti e, Borja, já no apagar das luzes. Empate este que, justamente, foi interessante para os colombianos e desinteressante para os argentinos, a partir das intenções de cada um na tabela de classificação.

Crônica do jogo:

Gol relâmpago: em falta cobrada para dentro da área, o zagueiro Romero subiu mais que a marcação colombiana e colocou a Argentina na frente em Barranquilla.

E os Hermanos estavam mesmo animados. A pressão continuava e, ainda aos 7’, após cobrança de escanteio, Paredes tirou para dançar toda a defesa colombiana e tocou no cantinho de Ospina. 2 a 0 para os argentinos, era o Tango vencendo a Cumbia.

Com vantagem tranquila, a albiceleste foi mais de controlar a partida, enquanto a seleção cafeeira se obrigava a apertar no ataque, às vezes com perigo, mas nunca suficiente para diminuir o prejuízo.

Mais próxima estava a Argentina do terceiro gol. Aos 26’, Lautaro Martínez obrigou Ospina a grande defesa, e, no rebote, Acuña balançou as redes por fora. O arqueiro colombiano ainda trabalharia na reta final da primeira etapa evitando gol de falta do grande craque Lionel Messi.

A Colômbia reagiu com boas chegadas de Zapata e principalmente Cuadrado, claramente o melhor colombiano entre os atletas da linha.

E a seleção da casa, que já tinha pressionado na reta final da primeira etapa, voltou do intervalo com tudo: Muriel sofreu pênalti de Otamendi. Ele mesmo foi para a bola e cobrou bem, no canto oposto de Marchesín, 1 a 2. Jogo aberto em Barranquilla.

Depois do gol, a partida se abriu de vez, ficando preocupante para os argentinos, animada para os colombianos e boa de se ver para os espectadores. A melhor estratégia para os Hermanos, a fim de não deixar a Colômbia se animar de vez, foi voltar a pressionar. E, claro, sempre levando perigo.

Messi estava cada vez mais próximo de seu gol de falta. Desta vez, acertou a trave de Ospina. O goleiro ainda interveio em outras chegadas do ataque argentino.

Mas a chance mais clara foi para o lado colombiano, com o artilheiro Luis Muriel, aos 71’. Ele fez tudo certo, tirou do zagueiro Foyth, ficou de frente para Marchesín, mas bateu por cima do gol, desperdiçando o empate.

A Argentina sabia se proteger das investidas da Colômbia, que, por sua vez, conhecendo o perigo do contra-ataque argentino, não se entregava ao ataque de vez. Tal postura parece prudente por parte dos cafeeiros, visto que a equipe visitante não parava de ameaçar pelo terceiro gol. Messi, que não descansaria enquanto não marcasse seu gol, novamente exigiu grande defesa de Ospina.

Já na reta final, o time argentino, então, resolveu, efetivamente, se defender para proteger a vantagem. Marcando em cima e reduzindo os espaços dos talentos individuais da cafeeira, a equipe tentava garantir a vitória.

Mas ainda haveria a última pressão, a última jogada, um último cruzamento. Já aos 90+4’, o levantamento perfeito da direita localizou a cabeça do centroavante Borja. Livre de marcação, o ex-palmeirense – e que ainda pertence ao Verdão – cabeceou bem, para a quase defesa de Marchesín. Quase. Tudo igual na casa do Junior, de Borja.

Pós-jogo:

Colômbia e Argentina fizeram um jogo movimentado e animado. Em que pese tenha sido controversa a decisão de se permitir a presença de torcedores, a partida foi digna de um grande espetáculo. A Argentina, pronta para triunfar, começou arrasadora, abrindo vantagem de dois gols antes dos primeiros dez minutos de jogo, sem que a Colômbia pudesse sequer, dentro de casa, impor seu jogo.

Aos poucos, a cafeeira foi se recuperando e ameaçando o ataque, enquanto se segurava para a desvantagem não se converter em goleada. E, na volta para a segunda etapa, um pênalti devolveu a Colômbia para a partida, o que parecia merecido, em termos de volume de jogo.

Com boas chances para os dois lados, a partida não decaiu em nenhum momento, tendo sempre algum lance a se chamar a atenção – quando não em boas jogadas a quase se tornarem gols, em questão de grande disputa pela bola. Nenhuma das seleções apresentou queda de ritmo, ou, no popular, “fugiu do jogo”.

Dentro de um confronto de boas seleções, em que o empate já soava como o resultado mais justo, era nítido o cenário: a Argentina deveria, mais cedo ou mais tarde, assumir postura defensiva, cadenciadora, para não dar chances para o azar. A Colômbia não desistia e, no último lance do jogo, arrancou o empate.

O resultado pode ter gosto de vitória para a Colômbia, uma vez que chegou a sentir o gosto amargo da possibilidade de derrota histórica, ao sofrer dois gols logo nos primeiros minutos. O amargor, no entanto, foi transferido para os argentinos, que não aproveitaram as chances de ampliar a boa vantagem construída logo cedo e, no último lance, a viram cancelada.

Confronto de emoções extremas entre as duas seleções ao apito final. Em um meio termo, estão os espectadores da partida, que certamente se entretiveram muito com os 90 minutos de futebol bem jogado.

Definições:

O empate frustrou os planos da Argentina de disparar na vice-liderança das Eliminatórias e seguir em perseguição ao líder Brasil. O empate levou os Hermanos aos 12 pontos, três a mais do que o 3º colocado Equador, que perdeu em casa para o lanterna Peru.

A Colômbia, com o pontinho salvador garantido no apagar das luzes, entrou no grupo de classificados provisoriamente, na 5º colocação, se garantindo na acirrada luta pelas vagas remanescentes para o Mundial do Catar, no ano que vem.

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