Fernando Diniz volta à Arena após passagem pelo Athletico em 2018; o que mudou?

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Líder do Campeonato Brasileiro 2020 com 56 pontos, o São Paulo terá compromisso difícil contra o Athletico-PR, neste domingo (16), na Arena da Baixada. A partida registrará o primeiro reencontro de Diniz, comandante tricolor, com a Arena da Baixada, desde a passagem do técnico pelo Furacão, em 2018.

A passagem, à primeira vista promissora, acabou se desmantelando. Os fatos subsequentes chegaram a dar impressão de que o encontro acabara sendo ruim para os dois lados. No entanto, com mais um pouco de tempo em conta, identificamos marcas que ainda remetem ao período, e observamos que sim, houve aprendizado para todos.

Chegada ao Athletico…

Após o surpreendente trabalho à frente do Audax, finalista do Paulistão 2016, era chegado o momento em que Fernando Diniz teria sua primeira chance como treinador de uma equipe da Série A. Em 2018, auxiliado por Eduardo Barros, implementou sua tão conhecida filosofia, hoje com uma alcunha consumada: o “Dinizismo”.

Os ideais de jogo de Diniz encontravam pontos de congruência com as visões de futebol que o Furacão tinha desde a década anterior, como na equipe de 2004. Aos poucos, os treinadores das equipes secundárias do clube – entre eles, Tiago Nunes – aplicavam os métodos de jogo.

Um início interessante de trabalho no Campeonato Brasileiro trouxe elogios de torcedores e imprensa ao treinador. Ao longo do tempo, contudo, faltou maleabilidade. A rigidez no mantimento de determinadas soluções em campo, nem sempre adequadas, fazia o Athletico perder pontos importantes. E quando se viu, já estava na zona de rebaixamento.

A demissão chegou em junho. O auxiliar Eduardo Barros ficou no clube, para integrar a comissão de Tiago Nunes, o próximo da linha sucessória.

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Posteriormente…

O avassalador trabalho de Tiago Nunes, transformando instantaneamente a equipe que derrocava para a segundona em campeã da Sul-Americana e, no ano seguinte, da Copa do Brasil, deixou uma impressão clara de o treinador gaúcho conseguira “consertar” as fragilidades de Diniz – que, naquele 2019, fazia trabalho similar no Fluminense: começo empolgante, queda de rendimento e demissão.

Mas engana-se quem pensa que Diniz não deixou certa marca na Baixada. O fato das equipes de Eduardo Barros e agora Paulo Autuori terem vocação à proposição de jogo – mesmo que nem sempre o time acompanhe tecnicamente – pode, sim, ter relação a um otimismo reaquecido do Athletico pelo estilo ofensivo, que andava distante (mesmo Autuori, na passagem anterior, adotou estilo mais conservador).

Percebendo o sucesso de atletas como Bruno Guimarães – que Diniz comandou no Audax e preparou no Athletico – em ser um meia considerado moderno, que “flutua” em campo (como Diniz gosta), e o insucesso de Nunes em aplicar seus métodos próprios de trabalho em outra equipe, ainda mais capacitada, se esclarece que a passagem do ‘Pirulito’ pelo Furacão teve um fim não por incompetência – apenas inexperiência.

E, do ponto de vista de Fernando Diniz, após duas passagens frustradas, era de se agradecer a chance no São Paulo. No entanto, o ápice de sua carreira de treinador pode também ter caráter de ‘última chance’. Ou seja, requeria uma revisão de conceitos.

E, com estudos e aprendizados, Diniz é um treinador mais maduro neste 2021. O tempo que lhe foi dado e a absolvição das quatro eliminações de 2020, incomuns nos padrões do futebol brasileiro, foram essenciais e merecem um agradecimento especial. No entanto, o treinador agarra a chance e consegue levar o São Paulo, protagonista improvável na temporada, ao caminho do título brasileiro.

Fazendo, assim, nem sempre o que quer, mas o que o jogo demanda. Eliminações nos mata-matas não são regras. Fato é que, nos pontos corridos, onde a regularidade prevalece, para quem vinha sempre conduzindo à zona de rebaixamento, traçar a rota para o título é uma evolução e tanto.

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