Há 40 anos, Colorado-PR goleava o Flamengo de Zico

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Hoje Paraná Clube, o Colorado Esporte Clube surgiu em 1971, resultado da fusão entre três clubes de Curitiba: Britânia, Palestra Itália e Ferroviário. 18 anos depois, o ‘Boca Negra’ uniu-se ao Pinheiros, dando origem ao Tricolor da Vila.

O que poucos sabem é que, em sua breve história, o Colorado produziu um dos maiores capítulos do Estado do Paraná na história dos Campeonatos Brasileiros. Foi em um 15 de março como este, mas em 1981, que o Boca Negra aplicou sonoros 4 a 0 sobre o melhor time do mundo: o Flamengo de Zico, Júnior, Tita, Adílio, Nunes e companhia.

Com três gols de Jorge Nobre e outro de Ditão, a equipe paranaense superou o atual campeão brasileiro e futuro campeão da Libertadores e Mundial. O resultado colocava o Colorado na liderança do Grupo L, já na segunda fase do Campeonato.

A campanha…

Com pouco menos de 10 anos de existência, o Colorado ia para sua quarta disputa de Campeonato Brasileiro. Após conquistar seu primeiro – e único – título estadual*, o Boca Negra representaria o Paraná no Brasileiro 81, sem as duas equipes mais tradicionais do estado, Coritiba e Athletico. O Coxa vinha de duas semifinais nacionais, mas, como na época a classificação dependia da campanha no estadual, quem se deram bem, junto ao Colorado, foram Pinheiros e Londrina.

Na condição de azarão, a equipe se classificou em terceiro entre 10 equipes, no Grupo A, junto a Vasco, Ponte Preta, Bangu, Internacional – seu xará, o Colorado Gaúcho – Inter de Limeira e Vitória. As sete primeiras equipes dos grupos A a D avançavam à Segunda Fase, onde foram diretamente Palmeiras, Bahia, Náutico e Uberaba-MG. As 32 equipes formavam oito quadrangulares, de onde se filtrariam os integrantes da fase final.

O Colorado acabou caindo no Grupo L, o mais difícil da fase: junto a ele estavam Flamengo e Atlético-MG, atuais campeão e vice-campeão nacional, além do Uberaba-MG. Das quatro equipes, duas passariam para a fase de mata-matas. O Colorado começou empatando duas vezes com as equipes mineiras. Timidamente ficou no 1 a 1 com o Uberaba na Vila Capanema, mas de forma honrosa, pelo mesmo placar, segurou o Galo no Mineirão. O Flamengo vencia o Atlético no Maracanã e empatava com o Uberaba no interior de Minas.

Até que veio o 15 de março de 1981. 32 mil expectadores foram ao Couto Pereira para conhecer o novo líder do Grupo L, já que o duelo dos mineiros terminava empatado.

O Flamengo tomou a iniciativa do ataque, mas pouco ameaçou a meta de Joel Mendes. O Colorado ficou naquela do “quando pintar a chance, a gente vai”. E, aos 19 minutos de jogo, Jorge Nobre, meia-atacante do Boca Negra, aproveitou a bobeada da defesa carioca e tocou na saída de Raul, abrindo o placar.

Dez minutos depois, após cobrança de escanteio da direita, Jorge Nobre marcou de novo para o ‘Boca’. 2 a 0 em menos de 30 minutos.

O Flamengo não conseguiu reagir e, na segunda etapa, sofreu mais dois gols. Jorge Nobre, de novo, completou cruzamento da direita, aos 16 minutos. Já na reta final da partida, Ditão aproveitou rebote de Raul e só cumprimentou para as redes. Torcida Colorada indo abaixo no Couto Pereira, ataque do Colorado fazendo a dança da vitória. A equipe paranaense assumia a liderança do grupo, com 4 pontos – a vitória, por qualquer placar, valia apenas dois pontos – e precisava apenas ter vencido mais uma para avançar.

No entanto, não aconteceu. No segundo turno do grupo, a equipe da Vila Capanema empatou com o Uberaba e perdeu as partidas seguintes, para o Galo em Curitiba e para o Flamengo no Maracanã, dando adeus à classificação para a fase final.

Classificados, Flamengo e Atlético-MG não foram muito longe na fase final. Os mineiros deixaram a competição já nas oitavas, ante o Internacional, já o Flamengo era superado pelo Botafogo, nas quartas. O campeonato teria o Grêmio levantando sua primeira taça, ao vencer o São Paulo nas duas partidas finais.

Flamengo e Atlético-MG ainda duelariam pela Libertadores naquele mesmo ano, num duelo que, até hoje, dá o que falar. O Fla avançou e foi rumo às suas primeiras conquistas internacionais, a Libertadores e o Mundial.

*O título do Campeonato Paranaense de 1980 foi dividido entre Colorado e Cascavel. Na partida entre os dois, pela última rodada do quadrangular final, a equipe da capital vencia por 2 a 0 quando o Cascavel ficou com apenas seis jogadores em campo. O Colorado precisava vencer por cinco gols de diferença para se sagrar campeão e, quando marcou o segundo gol, os atletas cascavelenses fingiram lesões, atrasando o reinício da partida. O árbitro resolveu encerrar o jogo ainda no início do segundo tempo, e a Federação Paranaense de Futebol acabou por creditar o título estadual da edição para ambas equipes.

Histórias do Colorado…

Um “quase” ainda mais doído:

Apesar da edição 81 ter sido responsável pelo resultado mais expressivo da história do clube, a melhor campanha do Boca Negra no Campeonato Brasileiro viria em 1983, em sua última participação na primeira divisão.

Na ocasião, a equipe participou de três fases do campeonato. Na primeira, ficou em segundo no Grupo G, à frente de Internacional (outra vez) e Botafogo. O duelo contra os cariocas no Maracanã gerou um momento inusitado, quando o segundo tempo iniciou com o goleiro colorado fora da meta:

Nas fases subsequentes, o Colorado encontrou velhos conhecidos: o Uberaba, na segunda fase, que a equipe superou para junto com o São Paulo avançar à terceira fase; e nesta, o Atlético-MG, além do Athletico-PR, seu conterrâneo, e do America-RJ.

A decepção: a equipe era a segunda colocada do Grupo R até a quarta rodada, se classificando para a histórica fase de quartas-de-final. Nos dois últimos duelos, o Boca Negra precisava apenas de uma vitória, ou mesmo dois empates para garantir a classificação.

Não deu: a equipe perdeu para o Athletico no Couto Pereira, e acabou ultrapassada pelo rival. Ainda assim, como o Athletico não vencia o Galo no Mineirão, o ‘Boca’ poderia se classificar vencendo o lanterna America, que estava sem vencer naquela fase. Acabou sendo goleado por 5 a 1 no Maracanã.

A sina do quase-campeão:

Não à toa alguns apelidaram o Colorado de “o maior quase-campeão do Estado”. Em sua breve história, se mostrou um time de chegada, sempre fazendo boas campanhas no Campeonato Paranaense.

O time foi cinco vezes vice-campeão estadual (1974, 1975, 1976, 1979 e 1982), outras cinco vezes terceiro colocado (1971, 1972, 1984, 1987 e 1988) e ainda quarto colocado por mais três (1973, 1977 e 1978). Título, o solitário em 1980.

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