“Noite das Garrafadas” entre Corinthians e Flamengo completa 30 anos

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O episódio histórico conhecido como Noite das Garrafadas, que completou 190 anos na última semana, foi decisivo para a abdicação do Monarca Pedro I do Brasil Império, dando fim ao Primeiro Reinado. Naquele março de 1831, portugueses do Rio de Janeiro, então capital imperial, reagiram efusivamente a membros do movimento nativista que se opunham ao autoritarismo do Imperador, e, do alto de suas casas, atiravam-lhes garrafas.

Em um mesmo março, 160 anos depois, o acontecimento ganhou também uma versão no futebol. Em 20 de março de 1991, há exatos 30 anos, Corinthians e Flamengo duelaram pela Libertadores, no Pacaembu. Irados pela derrota por 2 a 0, torcedores da equipe paulista invadiram o campo e chegaram a arremessar garrafas pelo gramado.

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A confusão começou depois que um bandeirinha teria comemorado o segundo gol flamenguista e ainda apontado para o placar eletrônico do estádio, o que não passou despercebido por um torcedor. Este foi o primeiro a invadir o gramado, dando início à confusão generalizada. Em meio a confrontos entre torcedores e polícia e arremessos dos objetos de vidro, a partida foi encerrada aos 38 minutos da segunda etapa.

Contidos pelos policiais contra a invasão do gramado, torcedores, então, invadiram os bares do Pacaembu e atiraram as garrafas. Ainda em campo, os jogadores tentaram conter a chuva de garrafadas, mas o mais prudente a fazer era descer para o vestiário. A confusão inspirou até o placar a um pedido de “calma”:

A batalha campal repercute até os dias de hoje, geralmente citada em discussões cujas pautas são violência nos estádios e, principalmente, a venda de garrafas e bebidas alcoólicas. Hoje, são permitidos apenas copos plásticos para servir as bebidas, e, em muitos lugares, o consumo de álcool está proibido.

Outros fatores…

Há quem diga que a revolta contra o integrante da arbitragem não teria sido fator único a despertar tamanha fúria na torcida corintiana. As demais causas são até hoje um mistério, que abre diversas hipóteses e teorias.

A derrota não culminou em nenhuma eliminação – foi apenas uma partida pelo Grupo 3 da Libertadores, pelo qual o Corinthians passaria e só cairia ante o Boca Juniors, em 24 de abril. Ademais, o Timão havia acabado de dar uma das maiores alegrias à sua torcida, conquistando seu primeiro Campeonato Brasileiro, há pouco mais de três meses.

Dizem que, desde aquela época, o Corinthians recebia uma grande pressão para vencer a Libertadores. Esta, que veio a se tornar uma das grandes provocações do futebol brasileiro nos anos 2000 pelo fato dos três principais rivais do Timão terem a taça, não se justificava em 1991. Naquela época nem São Paulo e nem Palmeiras haviam levantado a taça ainda, e sequer a competição passava perto de ser objeto de desejo dos clubes como nos dias de hoje.

Fato é que o Timão recebia um jogo de Libertadores pela primeira vez desde 1977, o que fazia com que a expectativa pela vitória fosse grande. E, de fato, a equipe teve exibição longe do aceitável. Wilson Mano, um dos principais jogadores do elenco e dos maiores símbolos do título brasileiro do ano anterior, marcou um gol contra, o primeiro flamenguista.

Timão, Pacaembu e Libertadores…

Os danos ao Pacaembu, tanto interna quanto externamente, na Praça Charles Miller, renderam ao Corinthians uma suspensão do estádio, que fez com que o time disputasse o restante das partidas daquela Libertadores no Morumbi.

Mas a junção entre o time, o estádio e a competição ainda teria diversos capítulos marcantes. Em 2006, por exemplo, novo confronto com o policiamento do estádio: a torcida não aceitou a eliminação para o River Plate, nas oitavas-de-final, e tentou invadir o campo.

Os capítulos que os torcedores gostam, contudo, viria seis anos depois. O Pacaembu, outrora palco de revoltas, recebeu a maior alegria corintiana desta geração: o título invicto da Libertadores, em 2012. O estádio recebeu todas as partidas do Timão como mandante e foi palco da grande festa, após a vitória por 2×0 sobre o Boca Juniors.

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