Relembre vitórias de clubes brasileiros sobre europeus no século XXI (Parte 2)

Após o início da série que relembra triunfos marcantes de clubes brasileiros contra adversários europeus no presente século, seguimos trazendo ao leitor as memórias que, mesmo recentes, podem cair no esquecimento.

Ou mesmo, podemos vir a contar histórias de jogos cuja existência é desconhecida até mesmo pelos mais ferrenhos dos fãs de futebol.

Por exemplo, você sabia que o Fortaleza goleou um adversário europeu por 7×2? Não estou perdido, pois não foi nos primórdios da bola, e sim no fresco 2007. Acompanhe conosco essa e outras histórias na segunda parte de nossa série:

Fortaleza 7×2 Blue Stars-SUI (2007) – começamos exatamente pela história supracitada, quando o Fortaleza recebeu (não tão hospitaleiramente) o Blue Stars de Zurique, Suíça. Perfeitamente normal que o leitor(a) sinta-se surpreendido, afinal o jogo, apesar de documentado oficialmente, praticamente não é mencionado na grande mídia (não conseguimos localizar nenhum vídeo, sequer a ficha técnica).

A partida foi realizada no estádio próprio do Fortaleza, o Alcides Santos, o qual leva o nome do fundador do Fortaleza, que, por sua vez, 99 anos antes, fundara o clube após apaixonar-se pelo futebol no período em que estudava exatamente na Suíça. Teria sido a proposição do amistoso uma célebre homenagem aos suíços?

Realizado em fevereiro de 2007, tratou-se de um amistoso de início de temporada para o Leão – e de intervalo de temporada para os suíços – que terminou com um final mais que feliz pro lado brasileiro. O Fortaleza havia sido rebaixado à Série B após duas temporadas na elite, e a goleada mostrou que o ano poderia ser positivo.

O Leão conquistou o Campeonato Cearense ainda naquele semestre, porém a boa campanha na Série B foi insuficiente, deixando o Leão do Pici ficou a três pontos do acesso.

Quanto ao Blue Stars? Clube modesto da cidade de Zurique, geralmente representada pelos grandes Grasshopper e FC Zürich, é um clube considerado histórico. Erguido em 1898, foi um dos fundadores da Associação Suíça de Futebol. Mas o presente é duro: hoje está na 2.Liga – equivalente à sexta divisão do futebol suíço. 

Grêmio 2×1 Hamburgo-ALE (2012) – em dezembro de 2012, era inaugurada a Arena do Grêmio, mais nova casa do Tricolor Gaúcho. Para a celebração, foi realizado um amistoso, e o convidado era mais do que especial: o Hamburgo, adversário gremista na final do Mundial de Clubes exatos 29 anos antes, aceitou o convite para a festividade e reavivou a memória dos tricolores – até o placar se repetiu.

As redes da Arena do Grêmio precisaram de apenas 9 minutos para balançar pela primeira vez, André Lima tratou de inaugurá-las logo. No segundo tempo, Westermann empatou para os alemães, e, já aos 42 da segunda etapa, Marcelo Moreno, que havia entrado no intervalo, deu a vitória à equipe de Vanderlei Luxemburgo.

O placar e a maneira em que a sofrida vitória de 2012 veio não deixam de remeter ao triunfo de 1983. Em Tóquio, o Grêmio também sofreu o empate próximo à reta final do jogo, e, na ocasião, as equipes foram para a prorrogação. Renato Gaúcho, autor do primeiro gol gremista no primeiro tempo, marcou de novo no tempo-extra para colocar o mundo em braços azuis, pretos e brancos.

Guarani 6×4 Bayer Leverkusen-ALE (1999) – ok que foi ainda no século XX, mas considerando a margem de erro de um ou dois anos, abriremos uma exceção – porque essa merece: o Bugre recebeu o Bayer Leverkusen e protagonizou um jogo antológico de dez gols.

Em uma tarde ensolarada de 17 de janeiro de 1999, o Brinco de Ouro recebia um grande amistoso internacional. O Bayer contava com jogadores como Ramelow, Kovac, e os brasileiros Zé Roberto, Emerson e Paulo Rink – esse último, naturalizado alemão.

Esse time dos ‘farmacêuticos’ foi vice-campeão da Bundesliga em 1998-99 e viria a ser base do grande Leverkusen de 2002, vice-campeão europeu e que cedeu grandes jogadores para as seleções de Alemanha e Brasil, finalistas da Copa do Mundo no mesmo ano.

O Guarani, comandado por Estevam Soares, não se abateu pela força do adversário e fez bonito diante dos torcedores. Robson Ponte (3x), Paulo Isidoro, Silvinho e Pichetti fizeram os gols do Bugre. Paulo Rink, Ledwon, Kirsten e Reichenberger marcaram para os alemães.  

No Brasileiro de 1999, o Guarani fez boa campanha, ficando entre os oito classificados para as quartas-de-final, e vendendo caro a vaga nas semifinais para o Corinthians, que se tornaria campeão.

Internacional 2×1 Internazionale-ITA (2008) – a exemplo do que fizemos com o Corinthians na primeira edição da série, ao não relembrar a vitória diante do Chelsea por esta ser amplamente conhecida do público, decidimos relembrar outra vitória do Internacional que não a óbvia contra o Barcelona, em 2006.

Na primeira semana de 2008, o Inter (do Brasil) foi convidado a participar da Copa Dubai, e, após passar pelo Stuttgart, fez a final com a Inter (da Itália). Foi o primeiro encontro entre os dois “internacionais” mais famosos do mundo. E quem se deu melhor foi o Colorado.

A vitória veio com direito a dois golaços: Fernandão (in memoriam) bateu bonito de fora da área para vencer o goleiro Júlio Cesar, e Nilmar acertou uma linda meia-bicicleta. Os italianos descontaram com gol do chileno Jiménez, que coincidentemente reencontrou o Inter na Libertadores de 2019, jogando pelo Palestino.

Com a vitória, o Internacional faturou a Dubai Cup (foto). E, o encontro dos “Inter” poderia ser reeditado em 2010, quando os dois foram campeões continentais e voltaram aos Emirados Árabes para a disputa do Mundial em Abu Dhabi. O confronto seria a eventual final, mas não aconteceu, pois… bem, melhor não lembrar. O torcedor colorado fica bem com a memória de 2008.

Palmeiras 2×1 Fiorentina-ITA (2014) – finalizando a segunda parte da série, relembramos a vitória palmeirense sobre a Fiorentina, a mais valiosa do Verdão contra equipes europeias nesse século. A partida foi válida pela Copa EuroAmericana, que aconteceu de 2013 a 2015.

Durante esses três anos, equipes europeias, em sua intertemporada, fizeram jogos contra equipes do continente americano. Com diversas equipes, as partidas intercontinentais aconteciam, cada uma valendo um troféu específico para o vencedor. Ao final do torneio, o continente campeão era aquele que conseguia mais vitórias. Interessante, não?

A edição de 2014 foi a única a contar com a presença de uma equipe brasileira, exatamente o Palmeiras. Em participação única no campeonato, o Verdão recebeu a Fiorentina no Pacaembu, e, vestindo azul em homenagem à Seleção Italiana, venceu com gols de Victor Luís e Leandro. Rossi descontou para a Viola.

Confira a parte 1 aqui!

Murilo Demarch
Desde 2015, redator, revisor e editor em websites, responsável por criação de conteúdo e exploração de bases de conteúdos de sites nacionais e internacionais

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